sexta-feira, 9 de julho de 2021

Projeto Blue Book

 

(reprodução History)


O Projeto Blue Book já nasceu com o pesado fardo de ser o maior e mais sério esforço empreendido pela Força Aérea para estudar e finalmente desvendar a verdadeira origem dos discos voadores. Embora tenha iniciado suas atividades na década de 50, seu trabalho mais substancial concentrou-se nos primeiros anos da década de 60.


O projeto todo foi uma iniciativa oficial e aparentemente muito corajosa da Força Aérea dos Estados Unidos. Pareciam realmente estar dispostos a ir fundo na investigação dos casos envolvendo aparecimento de OVNIs, fossem eles comunicados por civis ou militares.


O escritório sede do Projeto Blue Book ficava na Base Aérea de Wright-Patterson. Com instalações modestas e operando com um “staff” reduzidíssimo, levando-se em conta o grande número de casos a serem analisados. A equipe era composta por apenas um oficial graduado, dois sargentos e um civil atuando na função de estenógrafo.

As primeiras investigações foram levadas a cabo em regiões próximas a base, visando facilitar o deslocamento da equipe. À medida que o tempo passava e o projeto tendia a ganhar mais credibilidade, também começava a atrair mais o apoio de profissionais e civis interessados em ajudar nas investigações e solucionar os mistérios que cercavam os OVNIs.


J.Allen Hynek

(reprodução History)

 Foi assim que o projeto passou a contar com a ajuda de J.Allen Hynek, encarregado do Dearborn Observatory Northwestern University. Tornou-se famoso por ser um reconhecido cético no início das investigações. Mas, pouco a pouco, no decorrer das investigações dos casos, ele passou a rever suas posições iniciais. Trabalhou por dezoito anos, com seriedade e afinco, como consultor do projeto Blue Book. Em todos os casos em que houvesse a necessidade de uma avaliação do ponto de vista astronômico, ele estava presente. Também foram requisitados os serviços do Dr. Charles P. Oliver, da American Meteor Society, nos casos onde havia suspeitas de que o OVNI observado fosse na verdade um meteoro, uma vez que esse tipo de confusão é muito comum em observações noturnas.


Para analisar o aparecimento de possíveis naves, foi requisitado o auxílio da Federal Aviation Agency. Mas, quando acreditavam que o que havia sido visto pudesse ser um balão, o procedimento padrão da equipe do projeto era consultar primeiramente os aeroportos locais, depois as estações climatológicas locais e o U.S Weather Bureau. Finalmente contatavam escolas, entidades e universidades que utilizassem balões em suas pesquisas.


Quando houvesse a chance do objeto avistado ser algum satélite, os investigadores acionavam seus contatos e até a NASA era consultada para desfazer essa dúvida. Já, no caso de um possível míssil, o sinal de alerta era imediatamente acionado e todas as possibilidades eram cuidadosamente checadas. O mesmo acontecia quando eram detectados sinais não identificados na tela do radar. Todo e qualquer alvo era imediatamente estudado e prontamente interceptado. As empresas, instituições públicas, privadas, e agencias do governo que eram contatados e chamados a colaborar nas pesquisas do Projeto Blue Book, costumavam atender prontamente o pedido.


Os casos investigados eram classificados de acordo com suas características principais e podiam enquadrar-se nas seguintes categorias:

. Jatos

. Aviões de publicidade

. Helicópteros

. Balões

. Satélites

. Corpos celestes

. Outros


Último diretor do Programa Blue Book, Major Hector Quintanilla 

(reprodução History)

Apesar do Projeto Blue Book ter uma vida relativamente longa, infelizmente, produziu resultados insuficientes para aplacar a sede de repostas da opinião pública. Certamente, a decepção ocorreu em parte porque a mídia e o público haviam depositado suas melhores esperanças nele e o resultado final deixou muito a desejar.


 Mas, é sempre bom lembrar, que mesmo munido das melhores intenções o Projeto Blue Book era uma iniciativa mantida e administrada por militares da Força Aérea. Os mesmos militares sobre os quais recaiam pesadas suspeitas de estarem encobrindo fatos importantes como os acontecidos em Roswell e mantendo projetos secretos baseados em tecnologia extraterrestre.


O Projeto era como um jogo de encaixe. A metodologia utilizada exigia que os casos relatados tivessem sua explicação apoiada sempre nos mesmos parâmetros, permitindo incluir o caso em padrões previamente definidos.

 Não havia um compromisso com a verdade, mas sim com o convencimento de que tudo era totalmente explicável e corriqueiro. Com o passar do tempo somado ao uso excessivo dessa fórmula, resultou num desgaste natural, que culminou num total descrédito quanto aos resultados obtidos. Os argumentos utilizados simplesmente se tornaram repetitivos e vazios, muito distantes dos estudos de vanguarda prometidos e esperados.


O Projeto acabou sem grandes alardes em 17 de dezembro de 1969. Apesar de não apresentar avanços expressivos nos estudos do fenômeno OVNI, o encerramento de suas atividades deixou uma triste sensação de vazio. Não havia mais ninguém a quem procurar. Acabara-se a falsa, porém reconfortante sensação de que havia alguém cuidando do assunto. Ficaram mais distantes as esperanças de que talvez um dia houvesse algum progresso e que finalmente as respostas apareceriam.


Encontrei nos arquivos do FBI, alguma documentação relativa ao Projeto Blue Book. Quase dez anos após seu encerramento ainda havia um clima de insatisfação quanto às conclusões finais, francamente insuficientes, divulgadas num lacônico pronunciamento da Força Aérea:

...em dezembro de 1969 foi anunciado o fim do projeto Blue Book, o programa de investigação de OVNIs. A decisão de não continuar o projeto de investigação de OVNIs foi baseada na avaliação de um trabalho desenvolvido pela Universidade do Colorado intitulado “Estudo Cientifico de objetos Voadores não Identificados”, nos estudos da Universidade do Colorado publicados pela Academia Nacional de Ciências, nos estudos antigos sobre OVNIs e na experiência da Força Aérea investigando OVNIs durante duas décadas”.


As conclusões obtidas no Projeto Blue Book, eram na verdade uma soma das experiências, investigações e estudos originados a partir de 1948, portanto não era de se estranhar que soassem repetitivas. Ao todo, depois de cuidadosas pesquisas concluíram que:


  1. Nenhum caso de OVNI relatado, investigado e avaliado pela Força Aérea indicou qualquer tipo de ameaça a segurança nacional.


  1. Não houve qualquer tipo de evidencia analisada ou descoberta pela Força Aérea sobre objetos voadores avistados e incluídos na categoria não identificados, que possa representar desenvolvimentos ou princípios além dos que já sejam conhecidos pela ciência até o presente momento.


  1. Não há nenhum tipo de prova indicando que os casos de objetos voadores vistos e qualificados como não identificados possam ser veículos extraterrestres.


Com o término do Projeto Blue Book, a função da Força Aérea relacionada a regulamentação, estabelecimento e controle de programas de investigação/analise de OVNIs foi rescindida.

Toda a documentação relativa às investigações do extinto Projeto Blue Book foi transferida para:


Modern Military Branch

National Archives and Records Service

8th and Pennsylvania Avenue

Washington, D.C, 20408


Essa informação está disponível para apreciação pública e analises. Desde o término do Projeto Blue Book, nenhuma evidencia foi apresentada, que indicasse a necessidade de maiores investigações por parte da Força Aérea. Tendo em vista as experiências anteriores e o atual corte de verbas não há possibilidade de um novo envolvimento da Força Aérea nessa área.


O conjunto de conclusões e justificativas apresentadas pela Força Aérea não primavam pela originalidade. Estão apoiadas em argumentos frágeis e altamente questionáveis. Como seria possível afirmar que não havia nenhum tipo de ameaça, quando naves não identificadas sobrevoaram repetidas vezes instalações de militares onde se armazenavam armas de alto poder de destruição?


Ou ainda, como dizer que não havia provas de que os objetos voadores não identificados utilizassem algum tipo de princípio além do conhecido pela ciência até o presente momento? Como eles explicariam a velocidade e as manobras nunca sequer imaginadas como possíveis, sendo executadas por esses “objetos”?


De qualquer forma a Força Aérea não estava disposta a patrocinar mais nenhum projeto envolvendo pesquisa de OVNIs. Num documento oficial da Força Aérea sobre o assunto, ficou bem clara essa disposição:

... em 1977, o Presidente Carter perguntou à NASA (National Aeronautics and Space Administration) para analisar a possibilidade de resumir as investigações sobre OVNIs. Depois de estudar todos os fatos disponíveis a NASA decidiu que não valeria a pena prosseguir as investigações. A Força Aérea concordou com essa decisão. Porém, se qualquer prova mais consistente que justifique novas investigações for encontrada, uma agencia apropriada será indicada para realizar essa tarefa. Há um grande número de universidades e organizações cientificas e profissionais como a Associação Americana para o Progresso da Ciência, que tem analisado o fenômeno OVNI durante uma série de encontros e seminários periódicos”.

Com essas palavras a Força Aérea reforça sua intenção de desvincular-se dos estudos sobre o fenômeno OVNI.

No encerramento das atividades do “Projeto Blue Book”, a Força Aérea elaborou um resumo do o total de avistamentos de OVNIs relatados no período de 1948-1969. De um total de 12.618 casos, 701 foram classificados como não identificados (ou que não haviam encontrado uma explicação adequada para o fato).

A questão permanecia em aberto por conta dos 701 casos que não podiam ser explicados por nenhuma das nossas leis da Física ou pelos já conhecidos argumentos utilizados pelos militares. Eles continuavam lá. Todos os 701 casos, clamando por uma investigação justa e isenta de interesses escusos.

Eis a lista oficial, contendo o número de avistamentos notificados e investigados ano a ano, Projeto Blue Book:



(Fonte: arquivo do FBI)

Com o término do “Projeto Blue Book”, a Força Aérea calculou que seria bem menos cobrada em relação às investigações sobre OVNIs. Sabia também, que os fenômenos continuariam e que haveria sempre novos casos para serem investigados. Não ignorava, que sua participação seria exigida durante as investigações, mas preferia manter-se afastada dessa polêmica a qualquer custo.

Numa carta enviada ao diretor do F.B.I (imagem abaixo), havia o relato de uma tentativa de reeditar o projeto Blue Book nos moldes originais, mas desenvolvido por civis. 

Porém, apesar do poderoso círculo de amizades  do remetente da carta, ao que tudo indica a iniciativa não prosperou.


O Projeto Blue Book teve um fim bem acanhado.
Quando começou, mesmo com recursos bem escassos, prometia ser um projeto ambicioso e com objetivos comprometidos com a verdade e a investigação científica.

Trouxe esperança para muitos que desejavam ter suas dúvidas, temores e questões respondidas.
Porém, para grande decepção geral, só espalhou desinformação e mais perguntas que respostas.

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